Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1443 - 05 Dezembro 2014

Jovem de 18 anos baleado na cabeça morre em Uberaba

Edição nº 1350 - 22 Fevereiro 2013

 

O jovem Maykon Santana Faria (foto), 18, alvejado por um tiro na cabeça, na noite da sexta-feira 15,por volta das 21h, na rua Argila, no bairro Perpétuo Socorro, morreu na madrugada do dia 16, no Hospital Escola, em Uberaba. 

Consternados, os pais,  Ifigênia  Santana Faria e Cacildo de Assis Faria, a irmã Ana Márcia e seu marido Etelvino Ferreira Neto Rodrigues (Téo), demais  familiares e amigos  procuram uma resposta para a violenta morte de Maikon. “Ele era um menino bom, trabalhador, gostava de cantar, escrever e ter uma morte tão triste como foi a dele!”, lamenta a mãe. 

De acordo com a família, Maykon foi socorrido e encaminhado para o hospital em Uberaba e, depois de sofrer seis paradas cárdio-respiratórias, veio a óbito. “Os médicos ficavam lutando, reanimando-o, mas não teve jeito”.  Após os trâmites de praxe no IML, o corpo de Maykon foi liberado e trasladado pela Funerária Irmãos Pagliaro, para o Velório Maurício Bonatti, nesta cidade.  Maykon que teve as exéquias proferidas pelo pároco Pe. Sérgio Márcio, culto espírita e mensagem evangélica, foi sepultado às 17h, do sábado, 16, no Cemitério S. Francisco de Assis. 

 


 

“Mas agora já vou embora, só que eu vou dar a volta por cima disso tudo, tenho fé em Deus que tudo vai dar certo para mim. Deus é meu Pai, desejo tudo de bom, algum dia, não sei quando, visitarei vocês. Amo a Todos, Beijos!" (Do caderno de poesias de Maykon)


Família quer uma resposta e pede justiça

 

“Queremos justiça. Queremos que a polícia desvende esse crime”, diz a mãe Ifigênia, ainda transtornada. Para a família, Maykon morreu no lugar de outra pessoa. “Um rapaz parou pra conversar com Maykon e logo chegou um carro atirando e sumiu”, conta o cunhado Téo.

De acordo com a mãe, acompanhados pelo filhos Maycon e Ana Márcia e o genro Téo, foram a uma lanchonete. “Chegamos na casa de minha sogra um pouco antes das nove horas, aguardando o Maycon se arrumar pra levá-lo à casa da namorada, quando ele disse que iria com um amigo, para ter companhia pra voltar. A namorada dele e do colega moram no mesmo lugar, perto da loja maçônica, no Maria Rosa”, conta. 

Diz mais Efigênia que se despediu deixando Maycon debaixo de uma árvore a espera do amigo, quando e onde tudo aconteceu, em frente ao número 319  da rua Argila. “Minha sogra foi conosco pra nossa casa, poucos quarteirões abaixo. Acabamos de chegar, ligaram avisando dos tiros”, conta Téo, lembrando que, quando deixaram Maycon não havia ninguém na rua. 

“- Acreditamos que Maykon estava no lugar errado, na hora errada. Ele não era usuário de drogas, não era traficante, era uma pessoa boa”, diz, destacando vários  boatos que surgiram pelo fato de  Maykon, ser fã do grupo funk, Ostentação, que como o nome indica, fala de carros, motos,  dinheiro,  roupas de grife , bebidas , objetos e popularidade. 

Conta mais Téo que Maycon vivenciava as letras do grupo, mas nunca se envolveu com drogas. “Ele fez umas fotos com armas de brinquedo e dinheiro, que minha sogra pegou num empréstimo para ele comprar uma moto. Em Franca, ele fez uma foto em cima de uma moto e postou tudo isso no face. Coisa de menino, de jovem adolescente. Tudo isso é ingenuidade de jovem, ele quis se mostrar como diz as letras desse grupo funk”, justifica Téo, mostrando um vídeo gravado por Maykon, com ele cantando e dançando funk e os amigos fazendo o ritmo com a boca. “Coisa de rapaz novo, ingênuo, mas que gerou boatos ruins”, lamenta.

Ana Márcia lembra também o irmão como um jovem trabalhador, que toda vida gostou de carros, motos, tendo a mecânica como seu trabalho preferido. “Trabalhar em oficinas era o serviço preferido dele, pelo tanto que gostava de carros e motos. Ele ia retornar para a escola na segunda-feira, pra concluir 3º Colegial. Gostava de músicas, escrevia as letras, fazia poemas, inclusive a frase, impressa na camiseta que mandamos fazer, tiramos de uma poesia dele. Ele tinha vários cadernos de poesias. Era um bom rapaz, educado, carinhoso, amoroso”, elogia. 

Téo dá detalhes do que possivelmente aconteceu. “Dizem que ele estava sentado no banquinho embaixo da árvore, um rapaz do bairro parou com ele, o outro chegou de carro e atirou. Agora, está sendo investigado. O fato  é que não se sabe até agora o que  aconteceu”. 

De acordo com a mãe,  Maykon levou um tiro na cabeça que pegou atrás da orelha e atravessou do outro lado, mas o que vai comprovar é o laudo da perícia. O delegado Rafael Jorge, que trabalha no inquérito, já ouviu várias pessoas. Uma delas, MH, morador do bairro, disse que parou para conversar com Maykon, quando de repente chegou um carro efetuando vários disparos contra ele, MH, mas como Maykon se encontrava na linha de fogo foi atingido pelos disparos. 

O depoente diz  ainda que saiu correndo do local e escapou fugindo por um pasto ali perto, afirmando que foi ainda perseguido pelo carro. Em seguida, MH ligou para o telefone de Maykon, mas quem atendeu foi o seu cunhado, afirmando que Maykon havia levado três tiros”, informa o delegado Rafael Jorge, revelando ainda que havia uma rixa entre um terceiro que entra na história, RARS, 19 anos, que foi preso como suspeito, e o irmão de MH. “O irmão de MH já deu um tiro em RARS. Ainda não sabemos o porquê dessa rixa, mas vamos investigar, ouvir outras testemunhas pra juntar tudo isso no inquérito”, afirmou Rafael Jorge. 

Ainda, de acordo com o delegado, RARS teve sua prisão preventiva decretada pela juíza local. “Reunimos algumas provas contra R e fizemos um pedido de prisão temporária, porque ele foi preso no dia 17, fora do flagrante. Então, está preso temporariamente por 30 dias, podendo ser renovado, se for o caso. Ele está preso em Araxá, porque foi atendido durante plantão da Delegacia, mas deve ser transferido para o presídio local. No seu depoimento, negou que tenha ligação com o fato”, conclui, informando que nenhum dos supostos envolvidos tem passagem pela polícia. 


Maykon,

      Nossos corações choram  a sua perda, a saudade é grande e a dor é mais insuportável pelas incertezas sobretudo o que aconteceu. Quanto a isso colocamos nas mãos de Deus e esperamos a resposta da justiça.  Os versos de uma música dizem que, “As lágrimas doem pra valer, mas sempre há de prevalecer toda vontade do Senhor presente em nossas vidas”. E é nessa certeza que nos apegamos. E para você as nossas orações e a certeza de que está com Deus feliz, sorridente, alegre, poetizando como sempre fez. Deus te abençoe e descanse em paz. 

De seus pais, Cacildo e Efigênia, sua irmã e Ana, seu cunhado Téo, todos os familiares e amigos.