Jornal O Estado do Triângulo - Sacramento
Edição nº 1440 - 14 Novembro 2014

Batista, a Cachaça da Estrela

Edição nº 1389 - 22 Novembro 2013

Foi na fazenda Cachoeirinha, 256 hectares de terras, herança dos pais Joaquim Batista de Oliveira e Rita Maria de Jesus, mais conhecida pela sua bondade, como Mãe Rita que a pinga Batista começou com Zé Batista, nos idos de 1943. A partir de 1958, já com os filhos Ismar e Edmar (Di), a bebida passou a ter marca registrada,  “Caninha Batista” e  ganhou espaço nas Minas Gerais e Goiás, agradando  paladares até 1974. 

Da Fazenda Cachoeirinha, a Caninha Batista  ganhou sede própria, nas terras da chácara Bela Vista, que nos fins da década de 80 deu lugar ao bairro Jardim Alvorada e, mais recentemente, ao Jardim dos Oliveiras,  em homenagem a José Batista de Oliveira. 

Em Sacramento, um dos principais comerciantes da Cachaça da Estrela, o fiel vendedor,  foi Waldemar Gonçalves Cintra, o Neném da Casa Cintra, que guarda ainda algumas garrafas das antigas safras da Caninha Batista. “Estas últimas garrafas aqui não dou, não vendo e não empresto”, costuma dizer aos que se interessam. “São parte da história, por isso ficam aí expostas”, afirma.

Da pequena coleção, apenas uma saiu de seu acervo para presentear o seu criador, José Batista,  garrafa que se tornou a mascote da Cachaça Batista, resgatada por Marco Antonio Afonso da Mota. E como ele bem conta, tudo começou de uma brincadeira.

“- O seu Zé chegou para mim e disse que precisava de alguém que quisesse aprender alguma coisa com ele para manter as tradições. Aceitei o desafio e a primeira coisa que ele me ensinou foi fazer o melado. Aí cobrei dele a pinga. 'Por que não me ensina fazer a pinga?' Ele tomou a ideia e eu montei um alambique pequeno, na fazenda, como hobby e começamos a fabricar a cachaça com  seu apoio e de meu caseiro o João Mendes de Oliveira. Não  vendia, presenteava um e outro... O pessoal começou a gostar e a me incentivar a fabricar”.

Essa história foi revelada em entrevista ao ET, em 2008,  ano em que  a Fazenda boa Sorte abriu as portas da Cachaçaria Batista com a mesma estrela revestida das exigências atuais e muita tecnologia. “Quando comecei com o seu Zé a fabricar a minha cachaça,  a fermentação do caldo da cana era feito da forma tradicional, utilizando milho. Mas, na fermentação desta cachaça, isto é, a Cachaça Batista é um processo artesanal, porém aliado à tecnologia”.  

Ressalte-se que  a  denominação “ Caninha”,  não é mais adotada, conforme normas do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). “Cachaça” é o adotado tanto para as artesanais quanto as industrializadas com destilação simples. E, a  “Estrela”,   pentagrama, da Caninha Batista foi preservada com um novo design na Cachaça Batista.

A destilaria está instalada na fazenda Boa Sorte, rodovia MG 428, Km 101, próximo à Jaguara. 

 

Da tradição às novas tecnologias

A Cachaça Batista dos novos tempos exigia a tradição de Zé Batista  aliada às novas tecnologias. Para tanto, o empresário Marco Antonio foi em busca do aprimoramento das informações e apoios junto ao Sebrae, Ciesp, Centro Tecnológico de Cachaça de Minas Geias e outras empresas especializadas. 

O engenheiro de Alimentos Bruno Zille assumiu a responsabilidade técnica; estudos comprovaram a qualidade do solo e das variedades da cana. Logo,  surgem os primeiros resultados  com a Cachaça Batista, fruto de um rigoroso controle de qualidade   em cada etapa da produção,  desde  a moagem da cana executada logo após o corte, a filtragem e decantação, diluição e homogeneização para a padronização  do teor de açúcar. 

“A alma da cachaça é a fermentação”, traduz Marco Antônio. A Cachaça Batista é fermentada  sem a mistura de qualquer produto químico e é nessa etapa que se formam os compostos aromáticos peculiares de cada alambique. Após 24 horas, o caldo fermentado (vinho) é filtrado e segue para a destilação em alambiques de cobre, onde é aquecido e dele se extrai o líquido destilado, do qual se extrai aparte nobre, o coração, isto é o meio da destilação. A cabeça e a cauda, isto é, a primeira e a última saída da destilação são separadas e se transformam em álcool combustível, utilizado na própria fazenda. Todo o processo é rigorosamente acompanhado por moderníssimos equipamento eletrônicos.

Dali, o precioso líquido, branquinho segue para o merecido descanso. De acordo com Marco Antônio, “o tempo é amigo da cachaça”, por isso depois da destilação, a branquinha, em tanques de inox, ao longo do tempo, aprimora  o sabor. A cachaça ouro repousa em barris/tonéis  de carvalho e jequitibá, importados do Chile, França e dos Estados Unidos, com madeira ambientalmente rastreada, que dá o aroma sutil do blend que é a preferência nacional e internacional. 

Conforme Marco Antonio, tudo isso é feito para atender aos mais exigente paladares no que tange  à cachaça. “Nosso objetivo final é atender boa parte dos clientes exigentes, por isso os nossos produtos são padronizados para serem leves e agradáveis, com toque de madeira e o gostinho doce da cana”.

Toda a tradição aliada à tecnologia rendeu á Cachaça Batista selos de qualidade do Instituto Nacional de Metrologia, qualidade e Tecnologia (IMMETRO), do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e o Certificado de Origem e Qualidade do Estado de Minas Gerais, que atesta que a Cachaça Batista é genuinamente produzida em processo artesanal, em alambiques de cobre. 

“- Esses selos comprovam a genuinidade e conformidade da bebida, que segue os padrões técnicos, legais, sociais e ambientais e que agregam valor à marca, elevando seu potencial de competitividade no mercado, sobretudo exterior”, destaca o empresário.

 

E quando Marco Antonio fala em “padrões ambientais”, há que se destacar o paraíso ecológico que é a Fazenda Boa Sorte, onde é produzida a  Cachaça Batista. Ali, o empresário teve o cuidado de realizar  um intensivo repovoamento de espécies nativas e cuidados ambientais, com aumento da área de preservação permanente, reciclagem de resíduos da produção, além do tratamento e reaproveitamento da água. 


Lugar de honra...

Na festa de lançamento da Cachaça Batista Comemorativa dos 70 anos, presença do Analista Sensorial de Bebidas  e Consultor Enogastronômico da Revista Gourmet, Renato Frascino (foto), depois de passar informações técnicas da degustação de bebida, ingeriu , primeiro a branquinha, depois a ouro. 

Ao ser questionado de ter engolido a cachaça (em concursos como é grande a  variedade de cachaças, a regra é não engolir a bebida. Os jurados apenas sentem o líquido na boca e depois o despeja num recipiente) à mesa. quando se prova, a regra é não engolir a bebida), Frascino justificou:

“- Esta é a Batista que eu conheço. Na minha adega, ela ocupa um lugar de honra entre as melhores cachaças do Brasil”

Almir dos Anjos,  sommelière pós-graduado em marketing pela ESPM e especialista em e-commerce (comércio eletrônico) em vinhos, que esteve presente no lançamento da Cachaça  Batista no Bar Des Arts, em São Paulo, escreveu no seu blog (vinhodosanjos.wordpress.com)  “Cachaça Batista e seus 70 anos de sabores, alegria, competência e sonhos”.

Depois de tecer elogiosos comentários, finalizou: “Entre o resgate da história familiar, da cachaça e da própria marca, o empresário Marco Antonio Afonso da Mota é hoje sem dúvida símbolo de sucesso e notoriedade no universo empresarial do setor”.